
O que teu eu plantou aqui dentro é prolixo.
Um amontoado abundante de argumentos que nem mesma eu quero dar conta de absorver.
Você, para mim, é prolixidade.
Você, para mim, é excesso de verbos em silêncio.
Teu olhar ora sussurra, ora grita um turbilhão de nada's.
É como se tua presença me fosse antônimos.
No silêncio o caos do não dito exala em falácias frenéticas, enquanto por fora, em ti, nada parece passar do lacônico.
E justamente, no breu dessa breviedade que grita o turbilhão de palavras dessa nossa prolixidade lacônica.
É no breve que algo cresce e se espalha.
É no tanto que há de ser dito, não dito, que há algo que aproxima.
É entre o nosso pouco e o nosso muito onde mora um sentimento morno que não sabe se deve aquecer ou esfriar.
A droga é que mesmo numa miséria de "não ditos" ainda te digo tanto.
E você, feliz ou infelizmente, sabe me responder à altura.
Não são vastas as palavras, embora existam em vastidão.
Nem efêmeras, pois se acumulam.
Mas me instiga dominá-las onde posso facilmente confundir significados e aguçar as possíveis diversas interpretações.
Talvez eu invente novos significados para palavras existentes só para ter o que escrever sobre você, enquanto de você só tenho incógnitas.
Talvez não seja prolixidade, nem laconismo.
Talvez seja só você, bagunçando os extremos da minha criatividade.
Talvez seja só você, tocando o íntimo da minha poesia, sem sequer ter me tocado.
Ou talvez seja eu, imortalizando trocas de olhares que podem dizer tanto.
Ou não dizer, absolutamente, nada.
Lembro-me da primeira vez, foi um instante eterno de olhares, um ligeiro desconcertante cumprimento e a pungente curiosidade em vislumbrar os atributos que não estavam sendo revelados
ResponderExcluir