10 julho 2022

CARTA ABERTA À MINHA ANSIEDADE

Leia escutando: Welcome To The Jungle - Guns N' Roses

Eu te tenho. Não como algo intrínseco.

Te tenho numa relação de posse, a qual eu muitas vezes não sou o lado dominante.

E quando estamos no ápice do nosso relacionamento eu perco a vez, minha vida se torna um longo espasmo incontrolável. Sou totalmente submissa a tua vontade insaciável de preencher um algo inventado que talvez, e provavelmente, não exista.

Fico a mercê do que tu inventa. Do teu universo de fantasias e possibilidades infinitas no qual não me encaixo, mas insisto em tentar pertencer.

Um universo teu que não faz sentido pra mim, mas se torna um ideal do qual luto com afinco sem nem saber os exatos porquês. 

É que tu me infiltra no teu oceano caótico enquano eu remo um barquinho de papel frágil ao mínimo golpe de uma gota.

No entanto, eu permaneço. Firme e forte tal qual um navio cargueiro. 

Como se entre elevações monstruosas precisasse sobreviver, como se um eu capitão tomasse conta de mim. 

Levantar âncora!

Encaro a chuva torrencial, os raios...

A escuridão... O céu e o mar unidos em tons de cinza...

Olho para os fantasmas que se formam entre o quebrar das ondas.

Revejo os danos a bombordo, as cicatrizes a estibordo.

Temo as suposições que batem de frente com a proa. 

Aconchego os medos que continuam aterrorizando a popa. 

Por quê? Não sei, talvez nunca saiba. 

Fico à deriva como um fantoche.

Te deixo fazer de mim o que tu quiser com um manto na parede da consciencia, como se o que tu me sussurra no ouvido fosse a única verdade do mundo. 

Embora eu saiba que não. 

Embora eu insista em te negar.

Tu me preenche por completo e depois vai embora. Deixa a catástofre de um furacão que surgiu com a mesma breviedade com que desapareceu.

O chão fica sujo, o rastro bagunçado...

E eu nunca sei por onde re-começar.

Nunca é do zero que eu parto, volto algumas casas, o início vem do negativo, do que antecede o -1

É sempre um inferno quando te percebo me consumir e sumir assim.

Tu me deixa um vazio.

Um vazio que eu não consegui preencher. Que já nem quero mais ocupar.

Um estranho e desconcertante sei lá pra todas as perguntas sem respostas. 

É que tu se preenche em mim e de mim sobra sempre tão pouco.

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