05 setembro 2024

QUERIA PODER TE TER SEM DEVANEIOS

Leia escutando Peer Pressure - James Bay ft. Julia Michaels
Fechei os olhos e reconstruí teu eu feito pedaços.

Ali, bem diante das minhas pálpebras fechadas te relembrei inteiro.

Tu se fez presença em mim, no meu mundo paralelo de fantasias contraditórias. 

Nesse inventário imaginado que por falta de coragem não materializo no mundo real, onde suprimo todas as milhões de expectativas que construo e desfaço para poder fazer morada num mundo irreal que me acalenta e conforta.

Tu me é distância e presença ao mesmo tempo. 

Eu te imagino e recrio em vozes poéticas como se por consequência de um grito emudecido pudesse te fazer estar comigo em qualquer noite de insônia.

Eu te transformo em poesia para não precisar expor que talvez eu te queira aqui para compartilhar bobagens que são perda de tempo dentro de uma rotina um tanto frenética demais, enquanto tu me acaricia o cabelo e eu descanso no teu peito sem pressa pra partir. 

Talvez eu te queira aqui para ouvir tua voz sem estrutura bem próxima ao meu ouvido, tua risada gostosa a ocupar os ecos do cômodo, tuas mãos a deslizarem lentas pelas minhas costas, teu eu descompassado em compasso com o meu.

Talvez eu te queira aqui apenas tempo o suficiente para poder traçar tuas entrelinhas enquanto tu me conta uma bobagem aleatória que só faz sentido na tua cabeça e eu sorrio fingindo entender, mas me mantenho hipnotizada nas tuas linhas de expressão fazendo questão de gravar na memória cada detalhe para não ter chances de esquecer.

Talvez eu te queira aqui pra te descobrir entre erros e acertos, em pequenos defeitos que te tornam ainda mais atraente e surpreendem qualquer uma das minhas expectativas.

Talvez eu te queira aqui, mas tenha medo de me apaixonar e viva nessa inconstância de ir e vir sem pertencer. 

Talvez, por sorte, em uma dessas idas e vindas, a gente, por fim, permaneça.

Perdão é que não sei dizer algo sem ser clichê, sem parecer ultrapassada, nessas frases desconexas e confusas que retratam um anseio que se cala por não saber falar, nem o que falar.

A verdade é que eu te queria aqui, mas as palavras fogem ao tentar te dizer, enquanto insisto em viver num mundo inventado porque nele acredito que tenho controle daquilo que crio e recrio.

Nele é mais fácil lidar com o desconhecido sem parecer estranha, nele eu te invento e te elimino dos meus pensamentos quando bem quero sem precisar descongelar um coração receoso.

Sem precisar me envolver e te envolver nessa minha mente caótica, numa vida turbulenta tão sem sal e expor minhas milhões de imperfeições ou te deixar perceber que simplismente, talvez, eu não valha a pena, afinal.

É mal de escritor... algo como ossos do ofício, eu acho. Essa coisa de inventar mundos onde o coração possa habitar sem medo. 

Essa coisa de viver uma vida dupla entre a realidade e a ficção para não precisar ter que lidar com o redemoinho de fios elétricos entrando em curto numa mente conturbada que prefere arriscar amar só no papel.

 ... queria conseguir te dizer o que passa de verdade, sem toda essa enrolação.

Logo eu, que sei tão bem como brincar com as palavras não consigo expressar em frase nenhuma que não é sobre o teu sorriso que me faz sorrir sem perceber que hoje eu te escrevo.

Nem sobre esse teu jeito bonito de arrumar o cabelo que me tira de órbita ou a forma como tu me parece ser transparente demais na minha presença.

Não é sobre tua mão na minha ou teu perfume barato, nem sobre teu beijo rápido que minha boca tem saudade. Não é sobre essa paixão bobinha, quase adolescente, que surgiu sem pretensão e virou poesia. 

Não, não é!

É sobre achar um jeito de te dizer em entrelinhas bagunçadas, disfarçadas de poema, que o que eu realmente quero é te ter sem precisar, em devaneios, ter que te inventar.

04 setembro 2024

TALVEZ EU GOSTE DA SENSAÇÃO DE TE GOSTAR

É bonito meu contorno na tua retina e como tua pupila se torna um pequeno espelho particular que me leva para dentro de ti, tal qual um portal para outra dimensão. 

É engraçado como ainda sinto a tua mistura em mim, teu olhar travesso me envolvendo inteira, a sensação do teu toque a dissipar na minha pele, o teu perfume fixando no meu corpo aos poucos.

Consigo enxergar nitidamente o jeito que tu disfarça quando tento te decifrar com aquele riso torto jogado de lado que, tu bem sabe, me tira o chão por segundos tão lentos. 

Mas, eu não gosto da sensação de estar nas nuvens sem saber ao certo quando e onde pousar.

Não gosto dessa guerra civil que se trava entre a razão e a emoção porque nunca sei bem como proceder. Porque nunca sei bem como controlar esse turbilhão de coisas que acontecem aqui dentro.

Não gosto, mas gosto.

Talvez eu só disfarce bem quando se trata das coisas do coração, ou seja apenas uma grande mentirosa que acredita nas próprias ilusões. 

Eu sei, pode parecer irônico o que vou dizer, mas não sou boa com palavras, não quando tenho que dar a elas alguma voz. 

É por isso que na maior parte das vezes, eu me calo. 

Talvez porque não queira expor minhas vulnerabilidades e ache correto enterrar em poemas um eu embriagado de sentimento que se manisfesta vez ou outra aqui dentro. 

Um eu que não sei lidar sem intensidade. 

Talvez seja só nas entrelinhas desses textos tão sem sal onde consiga te manter inato, te guardar aquecido apenas na memória para poder te recordar, vez ou outra, sem receios.

Mas, talvez eu tenha gostado da sensação de te gostar e esteja me autosabotando, afinal.

Ou talvez eu só esteja de passagem e queira ser intensidade mesmo assim. 

Talvez eu esteja aqui para te gostar em silêncio e escrever clichês sobre o teu sorriso que só servirão pra lembrar teu nome quando revisitar cada verso que fiz pra ti.

Talvez tu me seja uma dádiva poética e nada mais que isso.

Ou talvez algum dia te conte como teu toque me borbulha por dentro, como teu beijo se encaixa com o meu sem esforço nenhum e que eu meio que amo tudo o que somos juntos.

Talvez eu esteja gostando mais do que devo da tua presença e sentindo demais por você sem nem perceber. Ou talvez eu só não queira admitir.

Talvez eu só não saiba como abandonar esse receio idiota em me entregar e viva dando desculpas para esse nosso nós não existir, neglicenciando o quanto te quero. 

Talvez isso tudo seja apenas um devaneio indevido disfarçado de licença poética que não deveria ter buscado refúgio em poemas sem voz. 

Talvez hoje seja a falta do teu beijo que me cause essa insônia criativa, eu não sei. 

Talvez seja apenas essa idiota sensação nostálgica do teu abraço que me envolve inteira e do teu cheiro no meu travesseiro que me fazem sentir tua falta.

Talvez tudo isso pela manhã seja diferente...

Com sorte talvez você suma de vez e eu finalmente te esqueça.

Ou deixe de ser apenas um rascunho de poesia.

18 agosto 2024

TUA BOCA TEM GOSTO DE QUERO MAIS


Tua boca tem gosto de quero mais. 

Teu beijo me é caminho sem volta. 

Tua mão no meu cabelo me tira do rumo.

Tua língua me rouba a decência mais pura.

Teu suspirar no meu ouvido abafa qualquer resistência.

Em ti eu me deixo.

Em ti me demoro.

Sem pressa.

E nem penso em regressar.

Meu corpo pede pelo teu corpo.

Meus lábios anseiam molhar os teus.

Teu toque controlado controla meu êxtase.

Teus dedos descontrolam todo meu controle.

E tu me tem refém da palma das tuas mãos.

Enquanto teu olhar indecente me entrega tua satisfação.

E teu riso de canto me quebra ao meio.

Nosso sussurro vira música explícita.

Eu, letra. Tu, melodia. 

Nossa dança, coreografia.

E no ápice dessa canção eu sou tua.

Só tua. 

E tu se deleita dentro de mim.

Como se dali não quisesse mais sair.

Teu eu me é faísca perigosa.

Mas não canso de arriscar.

Teu calor complementa o meu.

Nosso fogo é unânime.

Somos encaixe mesmo sem se ter.

Em ti eu queimo sem arder.

Me entrego sem receio.

Por ti eu perco a postura com gosto.

E meu corpo só sabe te querer outra vez.

De novo. E de novo. 

Como quem escuta uma música várias vezes sem cansar.

Minha boca te quer fora de hora.

De manhã. 

À noite. 

No meio do expediente.

Na cozinha. No sofá. No quarto.

Minha pele te lembra mais que a memória.

E a lembrança quando é física se acende involuntária.

Tu me é sensação que não dissipa.

Teu gosto de mim não saí.

Teu cheiro de mim não some.

Teu toque em mim permanece.

Tu me é arrepio distante.

Nossa fusão me é um vício sem fim.

Daquele tipo insaciável.

Que me faz querer sempre um pouco mais de ti.

17 agosto 2024

NÃO QUERO TER QUE TE ESQUECER

Eu não quero ter que te esquecer.

Não quero ter que algum dia apagar a lembrança do teu olhar no meu. 

Do modo doce que teus olhos me sorriem ao acompanhar teu jeito contido em me roubar pra ti, ou da forma indecente que tua pálpebra semicerrada me torna completamente entregue ao teu olhar.

Não quero ter que esquecer a sensação que tuas mãos deixam no meu corpo mesmo depois que não estão mais descansadas sob a minha pele. 

Não quero ter que ensinar a minha mente a não mais esperar teu toque.

Não quero ter que te enviar para um mundo de lembranças perdidas. Para vez outra te lembrar como alguém que conheci em um passado perdido, uma paixão devastadora que acabou por se perder no tempo.

Não,definitivamente, eu não quero ter que te esquecer.

Não quero ter que te jogar para o lado oculto da consciência, onde sequer saberei se vou conseguir acessar algum dia.

Não quero te esquecer em mim.

Não quero esquecer do toque da tua mão na minha, do teu abraço que me envolve inteira, muito menos deixar de sentir aquela vibração gostosa que vez ou outra surge ao te lembrar ou lembrar da gente. 

Não quero ter que sentir falta da tua voz no meu ouvido, do teu beijo no meu pescoço, do nosso encaixe compatível, das tuas mãos emaranhadas no meu cabelo ou da forma como tu me ganha enquanto expõe meu corpo aos teus lábios quentes.

Não quero deixar de ter essa saudade diária do teu eu perto de mim, da tua ansiedade acalmando aos poucos enquanto se deixa no meu abraço, do bater do teu coração acelerado colado no meu peito e do teu jeito receoso em tentar me pertencer.

Eu não quero ter que te esquecer.

Não quero ter que em algum momento apagar da memória esse romance comedido, essa história tão bonita de viver. Não quero ter que ler a gente como num livro que finaliza no desfecho, quero que o fim fique pra depois, que nossa história continue a pedir por continuação.

Não quero ter que te esquecer, quando tudo que eu mais faço é te lembrar.

09 agosto 2024

EU MENTIRIA SE DISSESSE QUE NÃO ME APAIXONEI

Eu mentiria se dissesse que não sou apaixonada por você.

Mentiria se negasse que meu olhar brilha ao se deparar com o teu. Que meu sorriso não brota no cantinho, meio tímido e receoso. Mas que quando tu me sorri de volta com esse teu riso contido e o mesmo brilho no olhar, uma onda gigante de sensações gostosas me faz não querer mais parar de sorrir.

Eu mentiria se dissesse que tua presença não mexe comigo.

Mentiria se jurasse que não te procuro por onde vou, que por acaso não penso em me deparar contigo em algum canto. Pois, te procuro até mesmo do meu lado da cama sabendo que não está.

Eu mentiria se dissesse que teu abraço não é conforto.

Porque não há lugar mais confortável para estar que nos teus braços. Mentiria se negasse que o mundo facilmente poderia terminar se as tuas mãos não estivessem a me guardar em ti.

Eu mentiria se dissesse que teu beijo não me faz querer ir além. 

E essa seria uma das mentiras mais deslavadas que contaria, pois mentiria muito mal se negasse o tanto que tua boca na minha me deixa fora de órbita. Que nosso beijo não me faz querer terminar encaixados sem ter hora pra acabar.

Eu mentiria se dissesse que teu fogo não encaixa com o meu.

Porque meu corpo fala muito mais alto do que qualquer palavra que eu viesse a usar para negar que não existe um calor fugaz entre a gente. 

Eu mentiria se dissesse que a gente não combina nenhum pouco.

Porque tu é quase uma cópia dos meus piores defeitos e uma mescla de qualidades insuperáveis que eu admiro tanto. É como se fôssemos peças com ajustes diferentes que fazem parte de um mesmo quebra-cabeça.

Eu mentiria se dissesse que não passo horas pensando em você.

Inventando acasos, imaginando cenas difusas, diálogos aleatórios e realidades que só acontecem na minha mente incansável. 

Mentiria se tentasse disfarçar que volta e meia não te imagino aqui, dividindo uma xícara de café, uma pipoca mal estourada enquanto leio um livro deitada no seu colo e caio no sono antes mesmo de virar a página.

Eu mentiria se dissesse que não te quero.

Mentiria se dissesse que não te espero... 

Que não conto as horas pra te ver...

Que vivo a vida conforme o andar da carruagem e que é só ocasionalmente que tu me preenche os pensamentos.

Eu mentiria se dissesse que não me apaixono em silêncio, um pouco mais todos os dias, por algum detalhe seu que sem querer deixei passar.

Mentiria...

Não pra você, para mim...

Porque, de certa forma, você já sabe disso tudo...  eu nunca sequer nem ousei querer disfarçar.

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