
11 julho 2025
NO SILÊNCIO DO LACÔNICO, NÓS DOIS

18 março 2025
TE FIZ MEU CÉU PARA PODER EM TI ORBITAR
07 novembro 2024
JÁ NÃO SEI MAIS ESCREVER SEM SER SOBRE VOCÊ
É que eu já não sei mais escrever sem ser sobre você.
Desaprendi qualquer outra escrita desde que te conheci.
As palavras só sabem me guiar ao teu encontro.
Tudo tem teu eu escancarado nas entrelinhas.
E eu já não sei mais ser poeta sem recitar teu nome.
Tudo acaba sendo você mesmo que nem seja sobre você.
Tu é meu bloqueio criativo.
As letras expressam o quanto meu eu só sabe transbordar você.
E infelizmente, meu eu poeta não mente.
É nos versos que te trago para perto.
É nas vírgulas que te faço eterno.
Mesmo que você já nem exista mais aqui.
E a distância seja pautada pela presença ofuscada.
Te gostar se tornou silencioso.
E esse nosso silêncio anda gritando cada vez mais alto aqui dentro.
Mas não posso gritar.
Então, te escrevo.
Como se no oculto a gente pudesse conversar.
Só que na poesia o grito é mudo,
E o eco é sempre lancinante.
14 outubro 2024
UM DIA EU TE CONTO
24 setembro 2024
QUERO MERGULHAR EM TI SEM PRECISAR VOLTAR

Sinto que estou sempre te perdendo entre os dedos, como quem tenta segurar a água do mar na palma das mãos e não consegue. Te sinto deslizar pra longe, escorregar entre quaisquer resquícios de fuga que encontra pelo caminho, na busca incessante de voltar ao seu imenso oceano particular.
Te sinto ir, querendo voltar.
Como se no balanço das ondas, ao mesmo tempo, que me joga para longe, volta para me buscar.
E nessa dança instável das tuas idas e vindas me vejo refém da maciez da areia e de joelhos fracos que se travam na busca de encontrar algum ponto de equilíbrio para não desabar.
E eu só posso confiar em mim nessa imensidão de você. Em mim e em um joelho travado que parece querer quebrar a cada golpe certeiro teu.
Tu me desequilibra, mas eu não me afasto.
Porque a verdade é que não quero estar na beira lutando contra a tua maré, se pudesse mergulhar em ti, já estaria em alto mar faz tempo.
Se meus joelhos deixassem, não tentaria só te agarrar com a ponta dos dedos na tentativa fútil de manter um pouco do teu eu entre as minhas mãos.
Se meus joelhos deixassem até barco de papel resistiria a tempestades para que eu pudesse navegar em você.
Se meus joelhos deixassem, se renderiam ao menor golpe teu e confiaram no meu próprio corpo que sabe perfeitamente como nadar nas tuas intensidades caóticas sem se afogar.
Se meus joelhos deixassem não temeriam a frieza do tempo, porque no fundo do oceano a densidade torna a água amena. Porque mesmo que o sol não alcance a superfície e a aqueça, sempre tem uma corrente de calor no fundo que te acalenta e conforta.
O problema nunca é mergulhar em dias frios, o problema é sempre o vento lá fora quando a gente sai da água. Mas quando se trata de mergulhar em ti, quero imergir sem precisar ter que voltar pra terra.
05 setembro 2024
QUERIA PODER TE TER SEM DEVANEIOS
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| Leia escutando Peer Pressure - James Bay ft. Julia Michaels |
Ali, bem diante das minhas pálpebras fechadas te relembrei inteiro.
Tu se fez presença em mim, no meu mundo paralelo de fantasias contraditórias.
Nesse inventário imaginado que por falta de coragem não materializo no mundo real, onde suprimo todas as milhões de expectativas que construo e desfaço para poder fazer morada num mundo irreal que me acalenta e conforta.
Tu me é distância e presença ao mesmo tempo.
Eu te imagino e recrio em vozes poéticas como se por consequência de um grito emudecido pudesse te fazer estar comigo em qualquer noite de insônia.
Eu te transformo em poesia para não precisar expor que talvez eu te queira aqui para compartilhar bobagens que são perda de tempo dentro de uma rotina um tanto frenética demais, enquanto tu me acaricia o cabelo e eu descanso no teu peito sem pressa pra partir.
Talvez eu te queira aqui para ouvir tua voz sem estrutura bem próxima ao meu ouvido, tua risada gostosa a ocupar os ecos do cômodo, tuas mãos a deslizarem lentas pelas minhas costas, teu eu descompassado em compasso com o meu.
Talvez eu te queira aqui apenas tempo o suficiente para poder traçar tuas entrelinhas enquanto tu me conta uma bobagem aleatória que só faz sentido na tua cabeça e eu sorrio fingindo entender, mas me mantenho hipnotizada nas tuas linhas de expressão fazendo questão de gravar na memória cada detalhe para não ter chances de esquecer.
Talvez eu te queira aqui pra te descobrir entre erros e acertos, em pequenos defeitos que te tornam ainda mais atraente e surpreendem qualquer uma das minhas expectativas.
Talvez eu te queira aqui, mas tenha medo de me apaixonar e viva nessa inconstância de ir e vir sem pertencer.
Talvez, por sorte, em uma dessas idas e vindas, a gente, por fim, permaneça.
Perdão é que não sei dizer algo sem ser clichê, sem parecer ultrapassada, nessas frases desconexas e confusas que retratam um anseio que se cala por não saber falar, nem o que falar.
A verdade é que eu te queria aqui, mas as palavras fogem ao tentar te dizer, enquanto insisto em viver num mundo inventado porque nele acredito que tenho controle daquilo que crio e recrio.
Nele é mais fácil lidar com o desconhecido sem parecer estranha, nele eu te invento e te elimino dos meus pensamentos quando bem quero sem precisar descongelar um coração receoso.
Sem precisar me envolver e te envolver nessa minha mente caótica, numa vida turbulenta tão sem sal e expor minhas milhões de imperfeições ou te deixar perceber que simplismente, talvez, eu não valha a pena, afinal.
É mal de escritor... algo como ossos do ofício, eu acho. Essa coisa de inventar mundos onde o coração possa habitar sem medo.
Essa coisa de viver uma vida dupla entre a realidade e a ficção para não precisar ter que lidar com o redemoinho de fios elétricos entrando em curto numa mente conturbada que prefere arriscar amar só no papel.
... queria conseguir te dizer o que passa de verdade, sem toda essa enrolação.
Logo eu, que sei tão bem como brincar com as palavras não consigo expressar em frase nenhuma que não é sobre o teu sorriso que me faz sorrir sem perceber que hoje eu te escrevo.
Nem sobre esse teu jeito bonito de arrumar o cabelo que me tira de órbita ou a forma como tu me parece ser transparente demais na minha presença.
Não é sobre tua mão na minha ou teu perfume barato, nem sobre teu beijo rápido que minha boca tem saudade. Não é sobre essa paixão bobinha, quase adolescente, que surgiu sem pretensão e virou poesia.
Não, não é!
É sobre achar um jeito de te dizer em entrelinhas bagunçadas, disfarçadas de poema, que o que eu realmente quero é te ter sem precisar, em devaneios, ter que te inventar.
04 setembro 2024
TALVEZ EU GOSTE DA SENSAÇÃO DE TE GOSTAR
Eu sei, pode parecer irônico o que vou dizer, mas não sou boa com palavras, não quando tenho que dar a elas alguma voz.
É por isso que na maior parte das vezes, eu me calo.
Talvez porque não queira expor minhas vulnerabilidades e ache correto enterrar em poemas um eu embriagado de sentimento que se manisfesta vez ou outra aqui dentro.
Um eu que não sei lidar sem intensidade.
Talvez seja só nas entrelinhas desses textos tão sem sal onde consiga te manter inato, te guardar aquecido apenas na memória para poder te recordar, vez ou outra, sem receios.
Mas, talvez eu tenha gostado da sensação de te gostar e esteja me autosabotando, afinal.
Ou talvez eu só esteja de passagem e queira ser intensidade mesmo assim.
Talvez eu esteja aqui para te gostar em silêncio e escrever clichês sobre o teu sorriso que só servirão pra lembrar teu nome quando revisitar cada verso que fiz pra ti.
Talvez tu me seja uma dádiva poética e nada mais que isso.
Ou talvez algum dia te conte como teu toque me borbulha por dentro, como teu beijo se encaixa com o meu sem esforço nenhum e que eu meio que amo tudo o que somos juntos.
Talvez eu esteja gostando mais do que devo da tua presença e sentindo demais por você sem nem perceber. Ou talvez eu só não queira admitir.
Talvez eu só não saiba como abandonar esse receio idiota em me entregar e viva dando desculpas para esse nosso nós não existir, neglicenciando o quanto te quero.
Talvez isso tudo seja apenas um devaneio indevido disfarçado de licença poética que não deveria ter buscado refúgio em poemas sem voz.
Talvez hoje seja a falta do teu beijo que me cause essa insônia criativa, eu não sei.
Talvez seja apenas essa idiota sensação nostálgica do teu abraço que me envolve inteira e do teu cheiro no meu travesseiro que me fazem sentir tua falta.
Talvez tudo isso pela manhã seja diferente...
Com sorte talvez você suma de vez e eu finalmente te esqueça.
Ou deixe de ser apenas um rascunho de poesia.
18 agosto 2024
TUA BOCA TEM GOSTO DE QUERO MAIS

Tua boca tem gosto de quero mais.
Teu beijo me é caminho sem volta.
Tua mão no meu cabelo me tira do rumo.
Tua língua me rouba a decência mais pura.
Teu suspirar no meu ouvido abafa qualquer resistência.
Em ti eu me deixo.
Em ti me demoro.
Sem pressa.
E nem penso em regressar.
Meu corpo pede pelo teu corpo.
Meus lábios anseiam molhar os teus.
Teu toque controlado controla meu êxtase.
Teus dedos descontrolam todo meu controle.
E tu me tem refém da palma das tuas mãos.
Enquanto teu olhar indecente me entrega tua satisfação.
E teu riso de canto me quebra ao meio.
Nosso sussurro vira música explícita.
Eu, letra. Tu, melodia.
Nossa dança, coreografia.
E no ápice dessa canção eu sou tua.
Só tua.
E tu se deleita dentro de mim.
Como se dali não quisesse mais sair.
Teu eu me é faísca perigosa.
Mas não canso de arriscar.
Teu calor complementa o meu.
Nosso fogo é unânime.
Somos encaixe mesmo sem se ter.
Em ti eu queimo sem arder.
Me entrego sem receio.
Por ti eu perco a postura com gosto.
E meu corpo só sabe te querer outra vez.
De novo. E de novo.
Como quem escuta uma música várias vezes sem cansar.
Minha boca te quer fora de hora.
De manhã.
À noite.
No meio do expediente.
Na cozinha. No sofá. No quarto.
Minha pele te lembra mais que a memória.
E a lembrança quando é física se acende involuntária.
Tu me é sensação que não dissipa.
Teu gosto de mim não saí.
Teu cheiro de mim não some.
Teu toque em mim permanece.
Tu me é arrepio distante.
Nossa fusão me é um vício sem fim.
Daquele tipo insaciável.
Que me faz querer sempre um pouco mais de ti.
17 agosto 2024
NÃO QUERO TER QUE TE ESQUECER
09 agosto 2024
EU MENTIRIA SE DISSESSE QUE NÃO ME APAIXONEI
Eu mentiria se dissesse que não sou apaixonada por você.
Mentiria se negasse que meu olhar brilha ao se deparar com o teu. Que meu sorriso não brota no cantinho, meio tímido e receoso. Mas que quando tu me sorri de volta com esse teu riso contido e o mesmo brilho no olhar, uma onda gigante de sensações gostosas me faz não querer mais parar de sorrir.
Eu mentiria se dissesse que tua presença não mexe comigo.
Mentiria se jurasse que não te procuro por onde vou, que por acaso não penso em me deparar contigo em algum canto. Pois, te procuro até mesmo do meu lado da cama sabendo que não está.
Eu mentiria se dissesse que teu abraço não é conforto.
Porque não há lugar mais confortável para estar que nos teus braços. Mentiria se negasse que o mundo facilmente poderia terminar se as tuas mãos não estivessem a me guardar em ti.
Eu mentiria se dissesse que teu beijo não me faz querer ir além.
E essa seria uma das mentiras mais deslavadas que contaria, pois mentiria muito mal se negasse o tanto que tua boca na minha me deixa fora de órbita. Que nosso beijo não me faz querer terminar encaixados sem ter hora pra acabar.
Eu mentiria se dissesse que teu fogo não encaixa com o meu.
Porque meu corpo fala muito mais alto do que qualquer palavra que eu viesse a usar para negar que não existe um calor fugaz entre a gente.
Eu mentiria se dissesse que a gente não combina nenhum pouco.
Porque tu é quase uma cópia dos meus piores defeitos e uma mescla de qualidades insuperáveis que eu admiro tanto. É como se fôssemos peças com ajustes diferentes que fazem parte de um mesmo quebra-cabeça.
Eu mentiria se dissesse que não passo horas pensando em você.
Inventando acasos, imaginando cenas difusas, diálogos aleatórios e realidades que só acontecem na minha mente incansável.
Mentiria se tentasse disfarçar que volta e meia não te imagino aqui, dividindo uma xícara de café, uma pipoca mal estourada enquanto leio um livro deitada no seu colo e caio no sono antes mesmo de virar a página.
Eu mentiria se dissesse que não te quero.
Mentiria se dissesse que não te espero...
Que não conto as horas pra te ver...
Que vivo a vida conforme o andar da carruagem e que é só ocasionalmente que tu me preenche os pensamentos.
Eu mentiria se dissesse que não me apaixono em silêncio, um pouco mais todos os dias, por algum detalhe seu que sem querer deixei passar.
Mentiria...
Não pra você, para mim...
Porque, de certa forma, você já sabe disso tudo... eu nunca sequer nem ousei querer disfarçar.
TU É FEITO MÚSICA PARA MIM
SOMOS POESIA FEITA PELA PONTA DOS DEDOS
11 julho 2024
GOSTO DE TE PERCEBER ME PERCEBENDO
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| Leia ouvindo: Watch Over You - Alter Bridge |
Gosto de te perceber me percebendo.
Gosto de observar teu eu me interiorizando pela tua pupila ampliada.
Gosto do momento exato que preencho tuas lacunas como se ali pudesse existir para sempre.
Do tanto que silenciosamente ocupo teu espaço.
E o tanto que tenta evitar me deixar entrar.
Mas gosto.
Porque da mesma forma que meu eu te foge os limites.
Meu eu também te liberta.
Posso te ter vulnerável para mim enquanto vou me tornando parte de ti.
E me permito estar suscetível ao teu sentir omisso.
Mesmo que tua fragilidade em me gostar soe sagaz.
Gosto quando está à beira de falar de amor.
E foge.
Gosto desse silêncio que me diz tanto.
E daquilo que esconde.
Mas percebo.
Gosto que teme por me ter nas mãos.
Mas anseia por tocar meu corpo.
E sem querer querendo também se inunda de nós.
Numa avalanche sem retorno.
10 julho 2024
EU PROMETI NÃO ME ENTREGAR
Mas de todas as vezes que me desfiz nas tuas mãos, em nenhuma medi esforços para recuar.
Defini um mantra de que não cederia à essa paixão entrecortada, de que não me entregaria a uma sinopse de um romance nem sequer escrito.
Mas cedi.
Me entreguei antes mesmo de ser.
Me entreguei antes do primeiro beijo.
Muito antes de conhecer o teu sabor.
Já havia me entregado à ti ainda no olhar.
Na tensão que crescia em euforia a cada troca de atenção disfarçada.
Na profundidade omissa que o espaço entre nossos lábios já carregava.
Nas pupilas dilatadas lotadas de um mar de possibilidades inimigináveis que nos fizeram querer experimentar quais seriam os frutos dessa imaginação.
Eu me entreguei antes de querer me entregar.
E em todas as vezes que neguei estar entregue...
Me entreguei a cada toque teu que dissipou calor em mim.
Em cada segundo que descongelou meu coração com teu corpo quente.
Em cada lapso de ansiedade que te encontrar me causava.
Eu me entreguei a cada palavra que perdi ao falhar da voz na tua presença.
A cada transbordar de ação do nosso nós em sintonia.
O agir silencioso sempre gritou mais alto que as palavras.
Só que eu prometi que não me entregaria...
E já estava entregue muito antes de pensar em não estar.
Talvez o que nunca quis, de fato, era não me entregar.
17 junho 2024
QUANDO PENSAR EM MIM
Quando lembrar meu nome me chama, diz qualquer coisa.
Fala que atendeu alguém com o mesmo apelido que o meu e que se recusou a usar a mesma entonação que fala comigo ao chamar ela pelo nome.
Diz que pensou em mim ao acordar, antes de dormir ou numa hora qualquer do dia, que o pensamento era indecente e tentou evitar, mas ao fechar os olhos sentiu como se estivesse vivendo aquele momento.
Fala besteira, diz que tá com saudade, que quer me ver logo e que não aguenta mais só viver a gente na imaginação.
Quando lembrar de mim manda um oi, me conta que quase bateu o carro porque não quis atropelar um cachorro, sei lá, fala que tropeçou e o dedinho tá doendo até agora, que queimou a comida ou que descobriu um novo fio de cabelo branco.
Diz qualquer coisa, mas diz.
Fala do tempo, do vento, da morte da bezerra, mas fala, deixa claro que ainda pensa em mim, vez ou outra no dia, como antes.
Me deixa saber que tu, como eu, pensa na gente com mais frequência do que deveria.
Que ocupo tua mente de maneiras inoportunas, em hora que não é para ocupar, que sou motivo da tua procrastinação e que tu odeia esse fato, mas não consegue evitar.
Quando lembrar de mim me deixa saber, fala de qualquer coisa.
Diz que lembrou do meu sorriso ou do meu jeito torto de caminhar, de como eu sou um desastre ambulante e um perigo para minha integridade física ou como percebe que eu fico fazendo careta para o nada e que é engraçado me ver assim.
Não importa saber o que, só diz que tu também lembrou de algum detalhe meu.
Fala que tu se perde quando me tem por perto e que assim como é comigo, a ansiedade rouba a cena e também não sabe bem como agir direito quando nosso olhar se encontra.
Quando pensar em mim me deixa saber...
Fala que anseia meu toque tanto quanto anseio o teu.
Diz pra mim que também tem vontade do nosso nós à sós quando me tem só em meio a multidão.
Quando pensar em mim me liga, me manda um áudio idiota. Não me importo com o conteúdo, só me deixa ouvir tua voz embargada de saudade.
Só me deixa saber que o tanto que eu penso em ti, tu pensa em mim também.
02 junho 2024
PRONOMES POSSESSIVOS EM SUJEITOS OCULTOS
Eu gostava de ser tua.
Não que eu realmente fosse, pois nunca fui tua de fato. Eu gostava era de quando tu usava de pronomes possessivos pra me fazer sentir ser tua.
E de como eu sabia que essa posse era uma mera ilusão inventada, uma maneira que tu encontrou de me fazer presença sem poder estar por perto.
Mas mesmo assim eu me entregava à tua escassez calculada.
Eu gostava de ser tua de mentirinha. Gostava da sensação que tu querer me ter me causava. E da forma como me entregava a ti e à essa ilusão sem receios.
Tu me fez tua.
E ignorou quaisquer avisos prévios que dei com a convicção de que não seria feita posse de ninguém. Engraçado, mesmo assim fui feita posse tua.
Inteiramente tua.
E gostei de cada vez que optei por ser.
Hoje já não sou mais tua. Ao menos não por meio do uso de um pronome possessivo qualquer emitido da tua boca.
Embora teu eu silencioso me diga o contrário e me sussurre em detalhes omissos que talvez, eu nunca tenha deixado de ser tua.
Teu eu me diz que ainda sou tua em silêncio.
Teu eu me diz que ainda sou tua quando teu toque em mim dura um segundo a mais que o planejado e me mostra que tu, na verdade, também não quer desfazer o nosso nós.
Teu eu me diz que ainda sou tua quando teu olhar repousa no meu e por mais de um segundo se prende ali, sem sequer pensar em disfarçar. Como se me invadisse por dentro buscando por um mínimo a mais de tempo pra que a gente possa se ter sem hesitar.
Realmente, o tempo, seja verbal ou real, diz muito.
Mas não acho que o diálogo do tempo seja sobre deixar ele passar. E sim sobre segurar o máximo para que não passe.
Talvez nesses lapsos de segundos a mais o tempo queira apenas susussurar que pronomes possessivos ainda podem existir em sujeitos ocultos.
Quem sabe queira apenas dizer que, na verdade, pronomes pouco importam quando os sujeitos ainda se tem, mesmo omissos.
Que seja!
Deixa o tempo falar...
27 maio 2024
TU É O TIPO DE AMOR QUE QUASE ACONTECEU
Queria dizer o contrário, não te comparar com a utopia das milhões de cenas inimagináveis que minha mente criou, mas não posso negar que tu me foi exatamente isso:
Um quase.
Sabe quando a gente desce as escadas e a perna fraqueja como se deixasse de existir por miléssimos de segundos? Sobe aquele frio na barriga instantâneo e um medo crescente do degrau abaixo não estar onde o cérebro previu que estaria, mas aí o pé toca o chão e tudo volta a estabilizar?
Então só resta respirar fundo, acalmar os ânimos e pensar: ufa, essa foi por pouco!
... Tu é esse tipo de quase.
Um degrau que eu quase cai.
Onde quase perdi o chão.
Tu é o tipo de amor que quase aconteceu.
O lado bom dessa história é que não ralei nenhum joelho, muito menos quebrei a cara ou rolei escada abaixo, foi só um aviso prévio para que o frio na barriga não fosse encarado como borboletas no estômago.
O que é uma bela de uma droga, sabia? Pois, modéstia parte, seríamos um joelho ralado muito bonito. Se é que me entende.
Mas tu preferiu o quase, onde o espaço vago para o amor nas possibilidades deixou de ser infinito.
Preferiu chegar com tudo e não ser nada.
Se aproximar com um começo planejado e um final pré determinado, me deixando a mercê de meios tão vazios que nunca soube bem como preencher.
No fim, acabei preenchendo do meu jeito.
Com minhas histórias mal contadas, meus clichês insuportáveis e uma vontade mitigada de te amar em pedaços.
Como se pudesse ter controle do frio na barriga que os danos desses teus vazios sem roteiro iriam me causar.
Não tive.
Quase me perdi nesse teu quase.
Pisei em falso, mas recuperei a estabilidade.
Talvez, na próxima, eu deva tropeçar em ti de vez.
14 abril 2024
TU CABE TÃO BEM AQUI
11 abril 2024
SEJA MAIS QUE A MINHA INSÔNIA
26 março 2024
SINTO FALTA DO TEU TODO
Quero poder dizer que sinto saudade de ti inteiro, sem inibir aquilo que mora aqui dentro.
Quando digo que tenho saudades tua, tenho saudades do teu eu completo.
Não apenas sinto falta do teu calor que me deixa sem ar, do nosso encaixe, do beijo que combina tão bem ou da tua mão na minha nuca que me arrepia inteira.
Sinto falta do teu cheiro no travesseiro, do cabelo bagunçado, do lençol fora do lugar, da minha pele vermelha marcada pelo prazer e do teu gosto. Mas minha saudade não se resume ao nosso nós composto de quatro paredes e algumas desventuras.
Eu sinto falta do teu todo.
E talvez desse nosso nós que eu invento em estrofes e cifras ocultas.
Sinto saudade da tua expressão travessa me engolindo com o olhar sob a meia luz do quarto e também do teu rosto sereno a me fitar calmo, como se dissesse em micro expressões que meu eu é teu conforto no enlaçar do nosso abraço.
Sinto saudade do teu olhar sem vergonha me fitando como quem não perde a sede da nossa mistura indecente, mas também da confiança que teus olhos marejados em dias difíceis deposita quando tu me explana um ou dois desabafos.
Sinto saudade da tua voz em ritmo acelerado ao me dizer sacanagem, mas também das tuas palavras serenas no meu ouvido enquanto acaricia o meu cabelo e me deixa adormecer no teu peito.
Sinto falta das nossas mãos enlaçadas e do toque quente da tua pele na minha...
Do frio na barriga a cada reencontro e da euforia dos nossos corpos dançando em compasso ritmado...
Do teu abraço conforto que me envolve inteira e da tua mão firme encaixada na minha cintura...
De morder de leve teus lábios e do teu beijo macio na minha testa que me causa tanta segurança em estar ali, presente, contigo...
É que, sim, sinto saudade dessa paixão ardente...
Mas, vez ou outra, também sinto saudade desse rascunho de amor que se fantasia em gestos inconfidentes.
















